19/02/2010

No que deu...

O Facebook me mostra um coleguinha de colégio, e as fotos dele no trabalho, um local paradisíaco. Ele trabalha acho que como instrutor de algum entretenimento num super hotel no Caribe, ou algo assim.

O coleguinha era a criatura mais chata de todas as galáxias, sabe? Era dos que inventavam apelidos para os desfavorecidos na aparência (gostou do eufemismo), colocava 'espanta negrinha' no ar condicionado, rabo de papel na bunda dos colegas para colocar fogo (imagine!), entre outras coisinhas mais. Eu, claro, não gostava dele.

Foi meu par numa das festinhas de São João do colégio, acho q a primeira, na terceira série. Na ocasião, chegou atrasado, me fazendo perder praticamente a quadrilha toda e chorar toda a maquiagem de bola de batom na bochecha que a minha mãe tinha feito. Como gostar de um cara que aos 8 anos já desmanchava prazeres????

Enfim. Ele não era um aluno brilhante, mas nunca repetiu ano, e foi meu colega da terceira série do primário ao terceiro do colegial. Eu, por outro lado, era reconhecidamente uma das CDFs da sala, musa dos nerds (que na época ninguém queria chegar nem perto, muito menos eu), e conhecida gente boinha, parafraseando Paulinho, de praticamente a sala toda.

Pois é. Eu passei no vestibular da UFBA, tenho especialização, fazendo mestrado... ele não, nem vestibular fez. Eu não tenho carro. Ele não precisa. Eu moro de aluguel, ele mora no paraíso e ganha para isso.

Aí eu lembrei de vários outros exemplos, como o do coleguinha que era burro que nem uma porta, de dar dó, e hoje é um dentista (tenha medo!), e ganha provavelmente o triplo do que eu ganho. Só dá para chegar a uma conclusão, completamente óbvia: o mundo é dos espertos, e ser esperto não é ser inteligente ou gente boa.

Eu acho a vida injusta.

Todo mundo conhece um.