20/12/2010

Minha vó quer se sentir sexy

Ela tem hoje 87 anos. Como muitas avós, casou com 13 anos, ganhou boneca de presente de casamento do marido, que já tinha seus 40. Deste casamento, teve dois filhos, a primeira faleceu na primeira infância. Largou esse marido, que batia nela, e teve a coragem de voltar para a casa da mãe, que achou um absurdo, mulher tem que aguentar, melhor que ficar sem marido.

Pouco tempo depois, meu avô tirou ela de lá, com a condição de não levar o filho que já tinha. Com meu avô, ficou mais de 50 anos, sem nunca ter casado, mas dando a ele 6 filhos (sem contar os que não vingaram), uma vida familiar segura e agradável, muitos cuidados e todas as vontades feitas. Sendo bem cuidada e amada, também, que ela merecia, né?

Agora, sem marido, sem irmãos, com os filhos espalhados, a vida é um tal de ir ao médico, fazer um monte de exames, tomar 12 comprimidos por dia, tomar banho e receber ligação de filhos e netos. De vez em quando, receber visitas e viajar. Ela está em Salvador exatamente para fazer uma bateria de exames e ver vários médicos, dentista e o quemais a gente pensar em fazer com a velhinha. Natal e reveillon também.

Escalada hoje para passar um dia com esta criatura doce, que fala engraçado e é a cara da minha mãe, ouço histórias antigas e atuais, sob uma ótica surpreendente para mim. Sobre a chateação de tanto médico e exames, ela me fala de seu principal incômodo: seus seios flácidos!

Morre de vergonha deles, e pede para que os examinadores sejam do sexo feminino, por que não gosta de idéia de um homem pegar em seus seios e achá-los feios... diz para mim, com uma feição inconsolável, que se arrepende de não ter colocado silicone quando tinha 60 anos, acha que então manteria os seios "durinhos" até hoje.

- Vó, ia ser estranho ter uma velhinha toda cheia de rugas e pelancas com o seio durinho! - falo rindo.
- Nããão, minha filha, a coisa mais importante no corpo de uma mulher são os seios. Estranhos são eles caídos assim!

Quer lição de "como envelhecer" melhor do que esta? Minha vó quer se sentir sexy!

14/11/2010

Velha e desiludida

Nós dizemos que alguém "tem facilidade em fazer amizades" quando costuma atrair pessoas para seu convívio, bacanas ou não, e mantém uma postura simpática e agradável. Esta "friendly person" quase nunca está desacompanhada, tem sempre vários programas para fazer, conhece muita gente e se dá bem com todos. Ahh, como causa inveja ou admiração!

É tão difícil confiar nas pessoas hoje em dia, contar com elas nos momentos de necessidade, ou no mínimo se divertir uns com os outros, que a idéia de viver rodeada de gente é tentadora e invejável. Quantas vezes eu não disse pra mim mesma: "preciso fazer novos amigos", "preciso conhecer pessoas novas"? Quase como se a rotatividade fosse uma precaução contra a solidão, como se as relações não fossem recicláveis, e tivessem data de validade.

Ter um milhão de amigos não garante que todo mundo vai cantar com você, baby. E se esse um milhão de amigos também se relacionar entre si, pode ter certeza que no dia de ir pro estúdio, vão aparecer três pessoas, as outras estarão cheias de rancor por rusguinhas de coisas pequenas e não vão querer estragar seu dia com cantoria.

É... estou amarga. Num momento eu que eu ACHO quem são meus verdadeiros amigos, aqueles com os quais vc pode falar o que vem à cabeça, e tem certeza absoluta do amor deles, a vontade que eu tenho é de deixar claro para os outros:

Não, eu não sou gente boa, eu sou uma chata,
eu acho que sou a dona da verdade,
eu mudo de idéia com o vento,
eu não quero explicar tudo o que digo e penso,
mas quero que prestem atenção no que eu digo, mesmo que não levem à sério.

Mas, principalmente, acho eu, vamos nos preocupar em pagar contas,
em achar o amor de nossas vidas,
em resolver nossa relação com nossos pais,
em trabalhar em algo que a gente goste,
em decidir se teremos filhos ou não,
em aprender coisas novas,
em tentar resolver os problemas do mundo!

E vamos largar o resto?

15/06/2010

Fim de semana com meus amores


Aproveitando a viagem dos queridos amigos Duda e André, dormi abraçada com essa figurinha deliciosa, a Mamy. Para quem prefere gatos, acha que cachorros são barulhentos, lambões e grudentos, eu até que lido bem com o beijo de língua que Mamy me dá para me acordar. E, como boa madrinha, adoro me gabar de estragar a educação que os pais dão: Glória, tadinha, normalmente impedida de subir na cama, ganha espaço e é incentivada a fazer bagunça no espaço do casal. Madrinha e avó são as melhores coisas da vida, sempre disse isso.

Falar da minha relação com as meninas me remete ao meu desejo de ser tia. TIA!!!! Já sou mãe de três (uma enteada, sempre lembrando), que me completam, e não me deixam esquecer o trabalho que um filho requer. Não acho absurdo comparar bicho com criança, não. Se a gente ama bicho, com filho é pior. Se a gente se preocupa, gasta dinheiro, tempo, atenção, carinho com bicho, com criança é pior. Então as minha meninas são termômetro do desejo de ser mãe. E esse, por enquanto, tá marcando próximo de 0°.

Mas o termômetro de tia.... ahhh! Esse tá apitando! Queria uma criança para estragar, maquiar, brincar de guerra de bexiga de água, fazer meleira na cozinha, ler livros na hora de dormir, dar porcaria para comer, ensinar brincadeira idiota para ela repetir milhões de vezes... ahhh, isso é quero para ontem! Ser tia dá a garantia de ter tudo o que é bom, sem as coisas ruins!

E cadê esse sobrinho, meu deus???? Vou fazer furos nessas camisinhas alheias, falsear os anticoncepcionais... qual o nome para isso? Terrorismo obstetrício????

07/06/2010

Insênicos

Meu primeiro trabalho como maquiadora artística, e eu aprendi milhares de coisas do que NÃO se deve fazer, materiais que não se deve usar, e principalmente, a como planejar o tempo necessário para as maquiagens.

16 atores iniciantes, pouquíssimo tempo para maquiar todos eles, e cada um com o seu desejo, sua características singular: as meninas que querem ou não brilho, os rapazes que não querem nada no rosto, depois querem... ai, ai!

Pude contar com a ajuda de colegas maquiadores, o que literalmente me salvou. A eles minha eterna gratidão... e á Renata, Andréa, Guilherme, Lara, pela paciência que tiveram comigo e minha inexperiência.

No final, só alegria: a peça foi um sucesso, todos me elogiaram (pelo menos na minha frente), fiquei com a sensação do trabalho realizado. E a vontade de fazer mais!!!

Pois é: tamos aí. É só chamar e eu topo qualquer desafio maquilante. E aproveita enquanto eu cobro só os custos, pq em breve serei profissional, e vou cobrar cachê! Rs

28/04/2010

Eu e o meu curso de maquiagem


É só no que consigo pensar com prazer esses dias. Chego lá super cansada, mas está valendo muuuito a pena. Entre críticas e elogios, vou percebendo queé possível sim me tornar uma boa maquiadora, e brincar com o rosto alheio.

Percebo também que o meu olhar se modifica, fica mais profissional: olho para as pessoas, e vejo cores, luzes, sombras e possibilidades... fora as "dicas" que recebo todos os dias: como as pessoas costumam se maquiar, que tipo de cores costumam usar...

A aula de hoje foi sobre os anos 20, com aquelas mulheres estilo bonequinha... tão lindas!!! Pele bem branca, sobrancelhas marcadas, olhos expressivos, boquinha de coração, quase... vontade de fazer umas fotos!!!

Que tal se alguma amiga se dispusesse a ser uma modelo paciente, e depois tirar umas fotos em preto e branco????

12/04/2010

Orgulho e vaidade

"A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda." (Provérbios 16.18)

Em outras palavras: o orgulho traz desgraças, e a vaidade te deixa fudido. Claro que não se ia escrever na Bíblia assim, mas eu estou só esperando o meu...

Sou mesmo muito orgulhosa, a ponto de ter orgulho do meu próprio orgulho: não transparecer sofrimento é uma arte, e uma prisão. E como sair dessa? Venho tentando, confiando mais nas pessoas e buscando um meio termo, sem me deixar vulnerável aos outros, mas tb sem deixar de falar qdo algo me aborrece.

As amigas saíram e não me chamaram? Os colegas de trabalho discordaram de uma opinião minha? Alguém me chamou de gorda? Ninguém nunca soube o quanto essas pequenas (?) coisas me afetam, e nem têm que saber, talvez. Tá bom, só um pouquinho.

O risco, no entanto, é ficar frágil demais aos olhos dos outros. A imagem da mulher super segura, forte, briguenta e com boa auto-estima impede que várias coisas me aconteçam, ou que várias pessoas cheguem perto.

Bom, esse assunto rende, e haja análise!

19/02/2010

No que deu...

O Facebook me mostra um coleguinha de colégio, e as fotos dele no trabalho, um local paradisíaco. Ele trabalha acho que como instrutor de algum entretenimento num super hotel no Caribe, ou algo assim.

O coleguinha era a criatura mais chata de todas as galáxias, sabe? Era dos que inventavam apelidos para os desfavorecidos na aparência (gostou do eufemismo), colocava 'espanta negrinha' no ar condicionado, rabo de papel na bunda dos colegas para colocar fogo (imagine!), entre outras coisinhas mais. Eu, claro, não gostava dele.

Foi meu par numa das festinhas de São João do colégio, acho q a primeira, na terceira série. Na ocasião, chegou atrasado, me fazendo perder praticamente a quadrilha toda e chorar toda a maquiagem de bola de batom na bochecha que a minha mãe tinha feito. Como gostar de um cara que aos 8 anos já desmanchava prazeres????

Enfim. Ele não era um aluno brilhante, mas nunca repetiu ano, e foi meu colega da terceira série do primário ao terceiro do colegial. Eu, por outro lado, era reconhecidamente uma das CDFs da sala, musa dos nerds (que na época ninguém queria chegar nem perto, muito menos eu), e conhecida gente boinha, parafraseando Paulinho, de praticamente a sala toda.

Pois é. Eu passei no vestibular da UFBA, tenho especialização, fazendo mestrado... ele não, nem vestibular fez. Eu não tenho carro. Ele não precisa. Eu moro de aluguel, ele mora no paraíso e ganha para isso.

Aí eu lembrei de vários outros exemplos, como o do coleguinha que era burro que nem uma porta, de dar dó, e hoje é um dentista (tenha medo!), e ganha provavelmente o triplo do que eu ganho. Só dá para chegar a uma conclusão, completamente óbvia: o mundo é dos espertos, e ser esperto não é ser inteligente ou gente boa.

Eu acho a vida injusta.

Todo mundo conhece um.

08/01/2010

TPM

Não tenho, ou pelo menos não das famigeradas que levam ao assassinato, graças a deus! As consequências culturais do fenômeno TPM, no entanto, acredito que todas as mulheres sofrem. A mais comum é quando estamos muito putas com alguma situação, e a primeira coisa que nos perguntam é: quando é que vem a menstruação mesmo?

É pedir para apanhar. Me desnorteia tanto que me perco no que estava falando e me volto para o idiota (vamos combinar, isso só homem faz) para quase pular no pescoço dele. E quem foi que disse que mulher só fica chateada, triste, irritada, excitada, alegre, louca e otras cositas más quando está perto das "regras"?

No entanto, admito: os piores dias, aqueles que parece que vc nem sabe direito o que está sentindo, são os que antecedem a semana sangrenta de todo mês. Bendita e maldita semana. Eu nunca gosto quando chega, mas que bom que ela chega, hehehehe!

Hoje eu tô assim: triste e não sei pq, ou talvez tudo me deixe triste. Quem sabe a bagunça hormonal não sirva também para ordenar o coração, tal qual o sono para o cérebro? Faz faxina e reorganiza, desce forte e reanima!

05/01/2010

Machismo ou conservadorismo?

Ser conservador não é necessariamente ruim, eu penso. Machismo, com certeza, e tanto quanto feminismo, apesar de me considerar (às vezes) feminista. Na verdade, são bem poucas as pessoas que se consegue identificar um posicionamento mais estável na "guerra" entre os sexos.

Meu roommate, p. ex., tem a fama de ser machista, embora eu identifique diversas situações em que seu posicionamento é bem mais flexível do que as pessoas possam pensar. Como ouvi recentemente, "não é que ele seja machista, ele é apenas conservador". Mas o que pode significar ser conservador hoje em dia, meu deus?

Esperar que a namorada faça seu prato no churrasco? Considerar que é o homem quem deve pagar a conta do restaurante? Preferir abdicar de uma parcela do trabalho para se dedicar à criação dos filhos, ao invés de deixá-los com a babá? Achar que homem pode ir para festas sozinho, e mulher não?

Fiquei revoltada com a estória do namorado que brigou com a respectiva por que esta não passou sua roupa direito e fiquei me questionando: ué, e ele paga salário para ela? O pior é que ele deve considerar que sim, já que paga todas as suas despesas, se brincar até o plano de saúde (e não são casados).

Minha primeira reação (intempestiva e claramente feminista) foi a de reforçar a idéia de que nós precisamos demonstrar independência e pagar nossas contas, sempre. O amigo que ouviu a estória fez o lindo comentário: mas quando a gente paga contas de restaurante para uma mulher, é por querer fazer uma gentileza, por querer agradá-la. Me desarmou, claro!

Taí: perdi o sentido do conservadorismo, do machismo, do feminismo, mas principalmente da gentileza. O medo de cair numa relação que aprisiona me afasta da possibilidade de uma relação verdadeira, gentil e afetuosa. Não reconheço com facilidade um ato gentil.

Aí a amiga vai dizer: é por isso que a gente tem que (re?)aprender a ser daminha, a dar espaço para que os rapazes sejam cavalheiros. O problema é também dar espaço ao rapaz para que ele seja autoritário e invasivo.

Bom, o amigo querido ganhou um almoço grátis hoje. Fiz questão de pagar e fazer esta gentileza.


Hoje foi dia de comer bode!

04/01/2010

Guerra contra os pernilongos

Eu não sei o que os trouxe: o calor do verão, as obras quase concluídas ou simplesmente o meu sangue doce. Mas eu sei o seguinte:

  • eles trabalham em conjunto, e se comunicam telepaticamente;
  • eles são muito mais numerosos que os mosquitos das outras casas, o que me faz pensar que há um objetivo específico em virem me picar (e não me deixarem dormir);
  • eles são resistentes à maioria dos artifícios comumente utilizados no combate à esta praga;
  • não há sangue ou espaço na pele suficiente para alimentar a todos eles.
Não deu certo me conformar; eles não demonstraram clemência. Agora é guerra.

O pior é não querer dar o braço a torcer e usar química anti-ecológica (i.e, inseticida spray) com eles, mas me reservo o direito de manter esta idéia como último recurso. Ontem usei borra de café e gengibre, mas contabilizei algumas picadas ainda. Hoje, vou de Complexo B, limão com cravo da índia, manterei o gengibre e ainda deixarei umas sentinelas de reserva, caso os anteriores não funcionem.

Já recebi dicas interessantes (not): mosquiteiro (cafona, e precisa furar o teto) spray de suco de gengibre (imagina a melequeira!)... continuo aberta a sugestões!

Só digo uma coisa: mosquitos NÃO SÃO baratas! Estas sim, não há como vencer numa guerra!


O meu blog

Depois de tanta gente na mesma época me recomendar um blog, resolvi aceitar o conselho. Não gosto de escrever, já tentei começar diversas vezes, esqueço que existe, não sei mexer: não são boas as perspectivas deste aqui.

No entanto, ultimamente tenho sentido mesmo vontade de experimentar coisas novas, e de perseverar, então há de ser um exercício interessante. Saco foi escolher o nome... PQP! Deve ter blog saindo pelo ladrão, pq não tinha nome que eu pensasse que estivesse disponível!

Esse, O meu e o dos outros, na verdade veio do medo da exposição. É de cú mesmo que eu estou falando, já que é o meu que está na reta neste espaço virtualmente público, oras! Mas eu vou deixar vcs interpretarem do jeito que quiserem, consolada por Bakhtin de que o texto não mais me pertence ao deixar as minhas mãos...

Enfim, nos vemos... (no meu ou no seu! rs)